Segundo Cérebro: O intestinoSeu intestino tem 500 milhões de neurônios, cerca de 100 trilhões de bactérias celulares e pode controlar suas vontades e atitudes de uma forma que você nem consegue imaginar. Podemos realmente dizer que o intestino é o seu segundo cérebro, pois seus neurônios se comunicam diretamente com ele.

O intestino é o maior órgão endócrino do nosso organismo, com 6 a 9 metros de comprimento, e tem um papel fundamental na manutenção da saúde física e mental.

Ele regula nossa imunidade, o bem-estar cerebral, o metabolismo, além de muitos outros fatores essenciais para a saúde.

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Segundo Cérebro: O Intestino

Segundo uma pesquisa realizada na universidade de McMaster em Ontário, as bactérias que formam a flora intestinal são capazes de se comunicar com o cérebro.

Com 500 milhões de neurônios e mais de 30 neurotransmissores, incluindo 90% da serotonina e 50% de toda a dopamina presentes no organismo, o intestino é reconhecido como o “segundo cérebro”, por ser o único órgão do corpo humano capaz de executar funções independentes do sistema nervoso central.

Em outras palavras, o intestino também pensa, decide e executa tarefas tal como um cérebro. Qualquer alteração física ou mental reflete na aceleração ou desaceleração dos movimentos peristálticos (movimento do intestino) – diarreia ou prisão de ventre.

Em 2011 cientistas da Universidade Cork, na Irlanda, descobriram que bactérias Lactobacillus rhamnosus, encontradas em iogurtes, eram capazes de alterar o comportamento de ratos de laboratório.

Os ratos que tomaram as bactérias tiveram melhor distribuição de GABA, um neurotransmissor que ajuda a controlar a ansiedade e uma redução de 50% na taxa de corticosterona, uma substância ligada ao estresse.

O intestino determina, em grande parte nossas emoções, estado mental e até preferências alimentares. A saúde do cérebro depende da saúde do intestino.

Mas como saber se nosso intestino está funcionando corretamente?

Conheça o seu Segundo Cérebro

O intestino é uma espécie de regulador das demais funções do nosso organismo. Nele ocorrem a digestão dos alimentos e a absorção dos nutrientes.

Nosso intestino é subdividido em duas partes: intestino delgado, que libera enzimas para digestão e absorve os nutrientes e o intestino grosso, que absorve água e outros nutrientes restantes que não foram completamente absorvidos pelo intestino delgado, ao mesmo tempo em que forma as fezes.

Existem duas variáveis que determinam a saúde do nosso intestino: o nosso microbioma intestinal, ou “flora intestinal”, e a “barreira intestinal”.

Bactérias do intestino. Segundo Cérebro
Segundo Cérebro. Foto: Bactérias Intestinais

A Flora Intestinal: As Bactérias que vivem no seu Segundo Cérebro

Nosso intestino é o lar de aproximadamente 100 trilhões de micro-organismos, chamados de “flora intestinal”. Contando com mais de 400 espécies diferentes, ela tem 10 vezes mais bactérias do que o número de células existentes em todo nosso corpo.

A flora intestinal promove funções gastrointestinais, imunológicas, atua na proteção contra infecções e regula o nosso metabolismo.

Quando as funções do intestino estão alteradas, pode ser um sinal de doenças graves e que nem sempre estão relacionadas ao próprio órgão, já que o intestino compreende 75% do sistema imunológico.

Um intestino doente contribui para uma grande variedade de doenças, como o diabetes, depressão, problemas no coração, obesidade, autismo, artrite reumatoide, síndrome da fadiga crônica, etc.

 Sintomas de uma Flora Intestinal Doente

  • Gases e inchaço
  • Ansiedade, depressão, déficit de atenção
  • Fadiga, cansaço constante
  • Aumento de peso
  • Problemas no estômago, como gastrite e refluxo
  • Alergias alimentares
  • Síndrome do intestino irritável
  • Alergias de pele, acne, eczema
  • Artrite reumatoide
  • Doença de Crohn
  • Infecções fúngicas, como a candidíase
  • Libido baixa
  • Presença de fungos nas unhas
  • Doenças autoimunes, como psoríase, esclerose múltipla, doença de Hashimoto

Quais são os fatores que prejudicam a Flora Intestinal?

  • Uso de antibióticos
    Medicamentos que afetam os hormônios, como pílulas anticoncepcionais e esteroides anabolizantes
  • Estresse
  • Ingestão de água tratada com flúor e cloro
  • Infecções
  • Dietas ricas em carboidratos refinados, como os açúcares e comidas processadas
  • Alimentos tóxicos como o glúten e os óleos de sementes industrializados causadores de permeabilidade intestinal
  • Dietas com poucas fibras fermentadas

Antibióticos são extremamente prejudiciais à flora intestinal. Existem ocasiões em que a utilização de antibióticos é necessária, porém são constantemente prescritos por médicos sem a devida orientação e cuidados.

Os antibióticos matam as bactérias ruins, porém também causam uma rápida diminuição na quantidade e na variedade de bactérias benéficas. Essas bactérias não são recuperadas ao suspender o uso dos antibióticos sem a intervenção de probióticos.

A distribuição das bactérias em nosso intestino é aproximadamente assim:

  • 20% de bactérias do BEM, importantes na produção de vitaminas, antioxidantes, hormônios e outras funções
  • 30% de bactérias RUINS, que geram doenças e descontroles metabólicos
  • 50% de bactérias que jogam no time que estiver ganhando

Assim, cabe a cada um manter a flora intestinal saudável, porque ao fortalecermos a presença das bactérias do BEM (20%), o time ganha 50% de adesão e totalizamos 70% de eficiência.

Do contrário seriam 80% de bactérias RUINS e não há como evitar descontroles e doenças físicas, mentais e emocionais.

Moléculas de proteína entrando na corrente sanguínea
Segundo Cérebro. Foto: Permeabilidade Intestinal


A Barreira Intestinal

O nosso intestino é como um tubo que recebe a comida que entra pela boca e elimina tudo o que não for aproveitado pelo ânus. O intestino protege a entrada de qualquer substância estranha para dentro do corpo.

Quando a barreira intestinal se torna permeável, grandes moléculas de proteínas acabam entrando para a corrente sanguínea, fazendo o corpo gerar uma resposta autoimune.

Essa resposta gera um ataque a substância invasora da corrente sanguínea e pode se manifestar como problemas de pele, doenças autoimunes, confusão mental, autismo, depressão, entre outros.

Sintomas da Permeabilidade Intestinal

No cérebro: ansiedade, depressão, TDAH
Nariz e boca: Resfriados frequentes, problemas respiratórios
Pele: espinhas, rosácea, eczema, psoríase
Juntas: artrite reumatoide, fibromialgia, dores
Intestino: constipação, diarreia, síndrome do intestino irritável
Estômago: gastrite, úlcera, refluxo
Tireoide: hipotireoidismo, doença de Hashimoto, doença de Graves
Geral: ganho de peso, dores de cabeça, inchaço, fadiga adrenal, alergias alimentares

O que Causa a Permeabilidade Intestinal?

Existem quatro causas principais da permeabilidade intestinal:

Toxinas: todo ano entramos em contato com cerca de 80.000 produtos químicos e toxinas que danificam nossa saúde, porém alguns são mais prejudiciais do que outros, como os antibióticos, pesticidas presentes nos alimentos não orgânicos e a água tratada com flúor e cloro.

Estresse crônico: Quem nunca ficou sem apetite, com dor de barriga, diarreia ou com o intestino preso em decorrência de situações delicadas, como crise no casamento ou estresse no trabalho?

Assim como o intestino pode ter controle sobre as nossas emoções, o cérebro também é capaz de mexer com o intestino.

O estresse causa um enfraquecimento do sistema imunológico, fazendo com que o corpo não consiga lutar contra bactérias e vírus invasores, causando inflamações e a permeabilidade intestinal.

Flora intestinal desequilibrada: uma flora intestinal com muitas bactérias ruins pode levar o intestino a ficar permeável, por isso é importante cuidar com os antibióticos, beber água de qualidade, livre de cloro e flúor e ter uma dieta saudável.

Dieta: existem 3 antinutrientes presentes em grãos que são prejudiciais ao nosso intestino e causam a permeabilidade intestinal: o glúten, a lectina e o ácido fítico.

O glúten está presente em grãos como o trigo, a cevada e o centeio. A palavra glúten vem do latin “glue”, que significa cola. Essa propriedade de “cola” faz com que os alimentos não sejam totalmente absorvidos, causando uma resposta do sistema imunológico e danificando a mucosa do intestino delgado.

A lectina é encontrada em grãos como arroz, trigo, centeio e milho. Ela é uma substância que serve como proteção das plantas contra fungos e insetos. Nos humanos a lectina se liga a mucosa intestinal e compromete a absorção de nutrientes, além de causar inflamações e uma resposta do sistema imunológico.

O ácido fítico está presente na soja, feijão, lentilha, aveia, etc. Ele pode causar um bloqueio na absorção de proteínas, e de minerais como o cálcio, cobre, ferro, zinco e magnésio.

Como cuidar melhor do seu Segundo Cérebro?

Remova as toxinas da sua dieta: Diminua a ingestão de grãos ou faça a germinação dos mesmos, não coma alimentos transgênicos, açúcares, gorduras ruins, refrigerantes e quaisquer comidas industrializadas. Dê preferência para alimentos naturais e orgânicos.

Faça um teste de alergia alimentar e evite todos os alimentos que de alguma forma fazem mal para você: Você sabia que aproximadamente 75% da população mundial é intolerante a lactose? Alimentos que causam alergias podem enfraquecer nosso sistema imune e levar a várias doenças. Faça um exame e descubra quais os alimentos que fazem mal a você.

Beba água de qualidade para ajudar a desintoxicar seu organismo: Aproximadamente 70% do corpo humano é composto por água, porém, boa parte desse líquido é eliminado diariamente por meio da respiração, da urina e do suor. Essa é uma forma do nosso corpo eliminar as toxinas, por isso é de extrema importância repor tudo o que foi perdido, mantendo o corpo sempre hidratado.

Tome probióticos regularmente: Probióticos são produtos farmacêuticos ou alimentares que contém as bactérias benéficas presentes no intestino. O objetivo dos probióticos é auxiliar na proliferação dessas bactérias para regular o intestino e reestabelecer o equilíbrio da flora intestinal.

Coma alimentos fermentados, como kefir, kim chi, chucrute, etc: Esses alimentos contêm probióticos que foram crescendo a partir do processo de fermentação.

Coma alimentos ricos em prebióticos: Os prebióticos são fibras não digeríveis, que fermentam no intestino e estimulam o crescimento das bactérias probióticas.
Alimentos ricos em prebióticos: cebola crua, banana, alho cru, mel, tomate, alho-poró cru, aspargo.

Reduza o estresse: Durma bem, se divirta mais, descanse pelo menos um dia na semana, medite e saia com pessoas positivas.

 

O cuidado com o intestino é essencial e reflete na saúde de todo o organismo. Esperamos que essas dicas ajudem você a melhorar a sua saúde.

Nunca se esqueça: o intestino é o seu segundo cérebro. Tudo que você faz, come ou bebe pode impactar diretamente a sua capacidade cognitiva e o seu humor.

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Fontes:
Scientif American
Dr Axe
SuperInteressante – Segundo Cérebro